Proprietário: André Luiz Vieira Fernandes (Melão)
(16) 3382-7465 (Vivo Fixo)
(16) 98117-2293 (Vivo, WhatsApp, Telegram)
andre.matao@gmail.com

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Palavras de Paloma Amado



Em 1996, depois de muitos problemas de coração, sugeri a papai que voltasse a ter cachorros, pelo menos um Pug, raça de sua paixão. Ele não quis de jeito nenhum, tinha sofrido muito com a morte de Capitu e de Mr. Pickwick, os primeiros pugs do Canil Ventania, que criou ao importar o casal da Inglaterra. Eles viveram 19 e 20 anos, morreram bem velhinhos, mesmo assim papai não se conformou.
Perto do meu aniversário, eu dei o golpe. Pedi que me desse um pug de presente. Como estava recém divorciada, vivendo na casa do Rio Vermelho, o meu cachorrinho estaria com papai todo o tempo. Ele ficou encantado, achou boa a solução e Fadul Abdala chegou de São Paulo em setembro deste mesmo ano, todo roliço, simpático. Foi amor a primeira vista, vivia no colo de papai, que já neste tempo passava boa parte do dia deitado no cadeirão da sala. De noite dormia no pé de sua cama.
Fadul também tomou conta do coração de mamãe, que fez dele ator de tv, quando participou de uma novela, casando com uma puguesinha chamada Mel, que era da personagem de Françoise Fourton. No dia que o capítulo foi ao ar, mamãe rindo mostrou a papai: Olha Fadul vestido de fraque, casando na tv... Papai abriu um olho, soltou um suspiro e disse: Coitado de meu cachorrinho... Essa Zélia.
Quando mudei para o meu apartamento, uns 6 meses depois, mamãe, chateada por eu não ficar morando com eles, disse: -- Vai, vai embora... Mas Fadul fica. E Fadul ficou, era mais deles que meu. Ganhou uma esposa, Morita, mãe de seus 6 filhos.
Ele foi o grande companheiro de mamãe nos seus 7 anos de viuvez. Quando ela se foi, Beth e Milton Porsani, meus primos queridos, donos de Belinha, uma das filhas de Fadul, se ofereceram para cuidar dele. E lá se foi Fadul para uma casa com árvores, outros cachorros e gatos, todos amigos do velhinho que lá chegava. Foram 3 anos muito felizes, com Lulu e Julinha, filha e neta de Beth, cuidando e acarinhando o nosso bichinho. Não tenho palavras para agradecer aos meus queridos, que deram esse tempo final de alegria ao meu cachorrinho.
Hoje Beth ligou cedo, estava chorando. Lulu vinha de avisar da morte de Fadul Abdala, tão amado, tão querido, que se deixou ir embora dentro da cozinha, seu lugar predileto.
Fui atrás de uma foto sua, para ilustrar este meu escrito de saudades. Encontrei esta, que é perfeita. Mostra a felicidade de papai em ver Fifi, minha gata cheia de caráter, em plena cena de intimidade com Fadul.
Imagino que agora reencontrou dona Zélia, seu Jorge, Fifi e Morita, que se foram antes dele. Nós que ficamos, estamos cheios de saudades.
   

Fonte: http://100xjorge.blogspot.com.br